O mar é o brilho do céu

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Out 08

 

Leucemia, apenas a palavra assusta.

Depois de uma experiência familiar, não consigo esquecer o sofrimento de muitos olhares de crianças, de adolescentes, de idosos e da minha própria avó...

Ontem soube que a minha professora tinha leucemia, fiquei um pouco perturbada, antes de deitar não saía da cabeça esta palavra: leucemia, leucemia, leucemia...

 

Leucemia para mim tem vários sinónimos: sofrimento, luta, coragem e amor pela vida

Esta doença é um sofrimento para o doente e para quem tem que viver diaramente com um familiar/amigo com essa doença.

 

Uma duvida permanente permaneceu comigo durante longos meses será amanhá que infelizmente chegamos á visita e a pessoa tão amada partiu?  =(

 

No IPO, forma-se uma família em pequenos quartos e salas, ambos apoiam-se uns aos outros e sofrem quando algo corre mal com alguem. Eu própria que passei dias no hospital junto com a minha avó fiz amigos, que infelizmente já partiram, mas também uns que conseguiram vencer esta luta!

 

Encontrei na net, um testemunho de alguém que está a lutar pela vida.


"CONFRONTADA COM O DIAGNÓSTICO DE LEUCEMIA, O MUNDO DESABOU SOBRE NÓS

Para quem tinha sido sempre saudável e gostava de viver, para quem se considerava feliz, perspectiva de ter uma doença fatal é desoladora.

No meu caso o que aconteceria aos meus filhos, ainda pequenos? No meio deste impacto permanece o pânico do futuro - que futuro? -, ao lado da esperança de estarmos dentro da percentagem dos que conseguem ultrapassar esta prova e que a vencem. Iniciados os longos e, por vezes, penosos tratamentos, vividos os arrastados internamentos, há que manter a disponibilidade física e mental para aceitar os constantes avanços e recuos que a doença e as sequelas dos tratamentos nos vão oferecendo. O tempo durante a doença não pode ser contabilizado – é uma aprendizagem que vamos fazendo, só importará ser valorizado depois de ultrapassado este mau bocado. O grande profissionalismo, a dedicação e o carinho que nos são prestados pelos profissionais que nos acompanham contribuem muito significativamente como suporte da longa caminhada que temos que percorrer. No meu caso foi prestimosa, e apraz-me aqui reconhecê-lo, o valioso auxílio que sempre recebi dos médicos, dos enfermeiros e das auxiliares de acção médica do IPO de Lisboa. A diferença, então quando é pela positiva , sente-se. Este testemunho não ficaria completo se não referisse a incomensurável ajuda que recebi dos meus familiares e amigos que, com o sacrifício, por vezes, da sua vida pessoal e com muito amor sempre estiveram ao meu lado e sempre me transmitiram força e alento. Nos momentos mais difíceis, de maior debilidade física e/ou psicológica a “simples” presença de uma pessoa que nos conforta, alivia a nossa dor, dá-nos fôlego para mais uns dias. Também a eles obrigado. Neste momento - Setembro de 2002 – ainda não superei a doença, estou em convalescença de um alo-transplante não relacionado, o qual, até à data, tem sido bem mais fácil que muitos tratamentos anteriores, mas parece-me poder alimentar a esperança de ainda poder vir a desfrutar a vida com alguma qualidade. Partilhá-la com aqueles que mais amo, acompanhar os meus filhotes. Mas, ainda hoje, três anos volvidos sobre o diagnóstico, não compreendo como isto me aconteceu a mim, acho que não estava “fadada” para estas tarefas e entendo tudo por quanto passei e estou a passar como uma missão de que fui encarregue. Pelo que já cumpri e se conseguir terminar agradeço a Deus.
Uma doente."
publicado por marebrilho às 19:04
música: Deixa o coração falar-João Pedro Pais
sinto-me:

comentário:
Leucemia, também eu conheço bem essa palavra.
Tive um amigo que depois do diagnóstico, não resistiu mais que um ano. Mas, nesse ano foi um lutador, nunca baixou os braços e sempre quis saber tudo. Das coisas que mais me tocava, era quando lhe diziamos que ia ficar tudo bem e ele sempre a negar-nos e dizia-nos que estava para breve. Nesse ano da doença, ele foi um verdadeiro herói, acho que não tinha a coragem que ele teve, ele despediu-se de cada um de nós, de cada amigo em qualquer ponto do país. Ele foi uma lição de vida para qualquer um de nós, ensinou-nos a viver.
Quando me falam em leucemia lembro-me dele e na vida que ele tinha pela frente, ainda não tinha concretizado todos os sonhos dele, era um jovem.
Leucemia para mim é sinonimo de sofrimento, desespero mas, também, luta, garra e vontade de viver.

Beijinho *
Anne Vanilla a 8 de Outubro de 2008 às 10:46

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